POR QUE APRESENTAR UM PÔSTER?

Existem diferentes formas de comunicação científica, sejam escritas ou orais.
Os pôsteres são meios de comunicação que misturam essas duas vias. Portanto, a elaboração eficaz de um pôster deve levar em conta ao mesmo tempo dicas sobre redação científica e dicas sobre palestras e aulas. Essa é a grande diferença em relação aos artigos e às palestras. Além disso, a mensagem contida em um pôster também é apresentada em condições bem peculiares: geralmente, em uma sala enorme, abafada e lotada, com centenas ou milhares de outros pôsteres sendo apresentados simultaneamente, concorrendo também com cocktails e cafezinhos.

A maioria das pessoas que comparecem a uma sessão de pôsteres está a fim de socializar e, portanto, chamar a atenção para seu pôster e conseguir boas discussões é um grande desafio. Apesar dessas desvantagens, os pôsteres têm uma grande vantagem em relação às palestras: eles permitem uma interação mais pessoal e com menos restrição de tempo com seus colegas. O grande pulo do gato é saber como atrair os visitantes.

Este guia foi feito para ajudar você a elaborar seus pôsteres de uma maneira mais eficiente, evitando desperdiçar seu tempo e seu dinheiro ao não receber visitantes ou não conseguir ter conversas produtivas durante a sessão. É sempre preferível apresentar uma palestra do que um pôster, contudo poucos têm essa oportunidade em congressos, sendo essa uma honra reservada aos colegas mais experientes ou com trabalhos mais inovadores. A esmagadora maioria dos participantes de um congresso comunica suas descobertas por meio de pôsteres. Portanto, dominar essa forma de comunicação é essencial para novatos que estão buscando seu espaço na comunidade científica.

Vale destacar, entretanto, que um pôster e um resumo em um congresso não são publicações de verdade, mas apenas uma propaganda do seu trabalho, que têm a função de deixar as pessoas ansiosas pelo artigo de verdade! Sendo assim, nunca apresente trabalhos preliminares ou projetos de pesquisa. Quando você vai
cinema, você espera ver um filme completo ou apenas um trailer?

QUAL DEVE SER A ESTRUTURA BÁSICA?

De maneira geral, os pôsteres seguem o mesmo esqueleto básico das palestras e artigos: título, introdução, métodos, resultados e discussão. Porém, não se usam resumos e nem palavras-chave (que entram apenas no resumo que sair nos anais do evento). Apesar de o roteiro ser o mesmo, a diagramação (layout) é bem diferente.

• O título deve ter um bom destaque, permitindo que um visitante em potencial saiba facilmente do que trata o trabalho. Muitas pessoas colocam uma foto do apresentador do pôster logo abaixo do título, para facilitar sua identificação no local, pois geralmente colegas de instituições diferentes só se conhecem pelos sobrenomes, não pelos rostos;

• Use fontes grandes, como 20 pt para o texto, 30 pt para os cabeçalhos e 60 pt para o título. Uma pessoa deve ser capaz de ler o pôster confortavelmente a 1,5 m de distância. Cuidado com fontes incomuns, que podem não estar disponíveis na gráfica da esquina. Dê preferência a fontes não serifadas (sem ornamentos), tais como Arial, Verdana ou Tahoma, pois elas facilitam a leitura à longa distância. Evite misturar fontes muito
diferentes;

• As diferentes seções devem estar bem separadas uma das outras, a fim de facilitar que o visitante reconheça onde está cada parte do trabalho, seguindo a mesma seqüência de um artigo. Costuma-se dividir o pôster em duas ou três colunas, para obter uma diagramação mais amigável à leitura;

• As figuras devem ser atraentes o suficiente para chamarem a atenção de visitantes que nem mesmo sabem qual é o tema do pôster. Tome cuidado com o contraste do pôster, de modo que o texto fique bem legível e o esquema de cores esteja combinando. Evite usar figuras complexas como fundo. Prefira fundos lisos ou com texturas simples. Se quiser mesmo usar uma figura como fundo, torne-a mais homogênea, diminuindo seu contraste e aumentando ou diminuindo seu brilho. Use cores quentes, como vermelho, amarelo ou laranja para molduras, e cores frias, como branco e bege, para os fundos de textos;

• Acima de tudo, um bom pôster deve ter pouco texto. Não tão pouco quanto uma apresentação de slides, porém bem menos do que um artigo. É preferível usar frases telegráficas, diretas e curtas, organizadas em tópicos, ao invés de orações longas e estruturas complexas. Deve haver uma ênfase maior nos objetivos e nas conclusões gerais. Se possível, organize e apresente a lógica argumentativa da introdução, objetivos e conclusões na forma de diagramas, por exemplo, fluxogramas e diagramas de Venn. Deve-se fazer um mínimo possível de citações, reduzindo drasticamente o tamanho da lista de referências (ou até mesmo eliminando-a).

COMO FISGAR VISITANTES?

Como dito antes, muitas vezes os pôsteres são apresentados em condições bem adversas e enfrentam uma competição brutal pela atenção dos participantes. Normalmente, você terá apenas duas horas para atrair o máximo possível de visitantes, fazer novos contatos com colegas interessados nos mesmos temas e conseguir ter pelo menos uma conversa mais aprofundada durante a sessão de apresentações. Sendo assim, como é possível se destacar na multidão? Há três maneiras principais:

1. Ilustre seu trabalho com figuras realmente bonitas, de preferência coloridas, como fotos de alta qualidade (alta resolução, boa nitidez e bom enquadramento) e gráficos bem feitos. É preciso que uma figura central no pôster fisgue os visitantes à distância, fazendo-os ignorar os trabalhos ao redor e compelindo-os a se aproximar do seu pôster. Entretanto, não apele, pois apelações atraem visitantes, mas podem destruir reputações. Por exemplo, evite usar fotos que chocam a maioria das pessoas (nu, violência, escatologia etc.) ou frases com termos chulos;

2. Crie um título conciso, informativo e intrigante, como uma boa manchete de jornal. Use palavras que chamem a atenção e que despertem curiosidade. Prefira os termos que estão na moda na sua área de pesquisa. Use fontes grandes no título e um fundo diferente do resto do pôster, a fim de dar maior ênfase à sua manchete. O título é a segunda isca, quase tão importante quanto as figuras centrais;

3. Use um esquema de cores que seja ao mesmo tempo atraente, mas que não canse o leitor. Use cores mais quentes nas bordas e cores mais frias para contrastar com o texto.

COMO DEVEM SER AS FIGURAS?

As figuras são peças-chave em um pôster e devem ter um grande destaque. São elas que, em um primeiro momento, fisgarão os visitantes. Em um segundo momento, são as figuras que vão ajudar a dar sustentação aos seus argumentos, de maneira muito mais eficaz do que os textos, quando bem combinadas com os diagramas e esquemas. Portanto, capriche nas figuras e nunca deixe de citar as fontes das figuras que pegar emprestadas! Plágio, mesmo que de uma ilustração, é uma desonra para um cientista.

1. Fotos: use apenas fotografias de alta qualidade, coloridas, com alta resolução, bom contraste, bom brilho e boa nitidez, além de um enquadramento interessante e um tema bem definido. Se só tiver fotos ruins, deixe-as de lado e use apenas gráficos e esquemas. Hoje em dia, com a popularização da fotografia digital, muitos se sentem tentados a abusar de fotos em pôsteres, porém deve-se usar esse recurso com muito critério e é importante ter noção das próprias limitações como fotógrafo amador. Na grande maioria dos casos, usa-se um número excessivo de fotos nos pôsteres, ou fotos que não ajudam em nada a entender o trabalho, fora as fotos de péssima qualidade, que mal permitem reconhecer o organismo de estudo. Lembre-se de que nem todo mundo acha fofo o animal que você estuda;

2. Desenhos: em alguns casos, desenhos podem ser bem mais úteis do que fotos. Fotos ganham pela realidade, enquanto a vantagem dos desenhos é permitir ressaltar alguma estrutura fundamental do organismo de interesse. Use-os sempre que possível, mas apenas se souber desenhar bem ou puder contratar um ilustrador científico;

3. Gráficos: se você puder passar uma mensagem em 2D, nunca o faça em um gráfico 3D, pois ficará mais difícil ver as diferenças entre os dados. Não use fundos com texturas e nem linhas de grade, que atrapalham a compreensão. Use uma fonte grande para os títulos dos eixos. Lembre-se de que um gráfico precisa ser auto-explicativo, especialmente em um pôster, onde ninguém quer parar para ler uma legenda. Quanto mais simples for um gráfico, melhor. Mas não seja minimalista demais – torne seu gráfico atraente sem prejudicar a transmissão da mensagem principal.

4. Esquemas: se possível, apresente suas argumentações centrais (deduções e induções) na forma de esquemas, como fluxogramas, pirâmides, organogramas, diagramas de Venn ou outros.

Transcrição Parcial
Fonte: Como elaborar pôsteres – Marco A.R. Mello – marcomello.casadosmorcegos.org
Para acessar conteúdo completo, visite: http://www.casadosmorcegos.org/arquivos/guiaposteres.pdf